Pequenas empresas de SP têm média de 12 dias de caixa, aponta Sebrae
Pesquisa realizada pelo Sebrae-SP mostra que empresários contam com ajuda do governo para não fecharem as portas.
Por Raphael Martins, G1
Enquanto o Ministério da Economia formula medidas de incentivo às empresas para que não quebrem durante a crise causada pelo novo coronavírus, o aperto fica mais latente entre os empresários.
A pesquisa “As finanças dos pequenos negócios paulistas em tempos de coronavírus”, do Sebrae-SP, mostra que as pequenas e médias empresas do estado têm, em média, disponibilidade de caixa para apenas 12 dias com faturamento comprometido. A reportagem do G1 teve acesso antecipado aos números.
Há setores, contudo, que têm ainda menos margem para segurar a renda. Trabalhadores de serviços domésticos e de construção, por exemplo, têm quatro dias de disponibilidade. As empresas mais bem posicionadas são de Informação e Comunicação, que chegam à média de 35 dias.
Os Microempreendedores Individuais (MEI) são os que mais sofrem, com cerca de oito dias de caixa. Em seguida, vêm as Micro Empresas (ME), com 14 dias, e Empresas de Pequeno Porte (EPP), com 21 dias.
O Sebrae-SP estima que existam mais de 4,2 milhões de pequenos negócios empresariais no estado, que geram 5 milhões de empregos com carteira assinada. Para a pesquisa, o órgão coletou as respostas de 2.696 delas, em questionários realizados entre 27 e 29 de março.
Na data, mais de 54% estavam fechados em virtude das determinações do Governo do Estado de São Paulo. Como alternativas de venda, cerca de 35% disseram estar operando por WhatsApp. Por redes sociais eram 23,5% e por telefone, 22,9%.
A pesquisa mostra também a baixa digitalização dos negócios para além das plataformas sociais. Apenas 9,8% usam sites próprios para venda e 8% recorrem a marketplaces. Apenas 26% disseram ter serviços próprios de entrega.
“Esses números precisam melhorar. Com o passar da crise, o home office vem para ficar e o empresário tem que achar formas de vender para o público remoto”, afirma Wilson Poit, diretor superintendente do Sebrae-SP
Planejamento de crise
A maior parcela dos empresários mostra consciência de que a redução das atividades não é medida de curto prazo. Quase 54% acreditam que a crise não durará menos que 45 dias.
Por isso, quase 40% dos entrevistados disse que espera ter recursos para pagar dívidas por meio de algum auxílio do governo. Do total, 23% admite que pretende não pagar seus compromissos e quase 15% têm demissões no radar.
“As medidas do governo estão no caminho certo, mas precisamos ajudar o dinheiro a chegar muito rápido na mão do micro e pequeno empresário”, diz Poit. “Nosso conselho é não ter vergonha de renegociar com fornecedores e tomar crédito. É preciso sobreviver às próximas semanas.”
A pesquisa do Sebrae é inspirada em um modelo criado pelo banco JP Morgan que avaliou o preparo de pequenas empresas americanas para crises. Nos Estados Unidos, a média foi de 27 dias de disponibilidade de caixa — mais que o dobro da situação no Estado de São Paulo.
* Publicado no portal G1, da Rede Globo