O funcionário que criou um climão (global) na P&G
Estouro de gastos, demissão de diretores e e-mail anônimo na fabricante de produtos de beleza
Por Raphael Martins, Maria Luíza Filgueiras
Discreta em seus processos e decisões internas, a fabricante de produtos de higiene pessoal e de limpeza Procter&Gamble (P&G) teve de enfrentar um clima tenso entre os funcionários no início de novembro. Um funcionário da operação brasileira enviou um e-mail para David Taylor, presidente global, e Juan Fernando Posada, presidente para a América Latina da empresa, criticando decisões sobre a operação brasileira.
De acordo com o e-mail, a empresa teve um estouro de gastos de 100 milhões de dólares no período de julho a setembro, mas, apesar do prejuízo, manteve o comando no Brasil. Ficou um climão, porque o funcionário, além de mandar o e-mail para os chefões internacionais, incluiu em cópia outras dezenas de pessoas da empresa. A P&G já tinha tomado providências sobre o tema: com o estouro no orçamento comercial, que foi menos de um terço do citado no e-mail, seis executivos foram demitidos, sendo dois diretores.
O presidente da operação brasileira, Alberto Carvalho, fez uma maratona de reuniões durante dois dias com as equipes para orientações sobre políticas comerciais e gestão orçamentária. O e-mail anônimo foi deletado da rede corporativa. Procurada, a P&G diz que identificou gastos acima do previsto numa área em uma revisão interna de rotina.
“A liderança local da empresa solicitou uma revisão dos processos e identificou que esses gastos não seguiram as políticas da empresa. Com isso, a P&G tomou medidas imediatas para garantir adesão às políticas existentes e para evitar que situações similares aconteçam no futuro. A questão identificada não teve impacto significativo nos resultados financeiros da companhia”, afirmou em nota.
* Publicado na edição 1151 da Revista EXAME – Editora Abril