Elástica | Grave esse nome: Henrique Avancini, o craque brasileiro do mountain bike

Com apenas 25 anos, o atleta de Petrópolis pode chegar para a disputa da Olimpíada no Rio entre os melhores do mundo

Por Raphael Martins

(Foto: Fabio Piva)Está certo que a campanha do Brasil nos Jogos Olímpicos de 2012 não pode ser considerada algo espetacular. Mas uma medalha em especial, conquistada no último dia de disputas, foi surpreendente. Atire a primeira pedra quem não torceu o nariz ao ouvir o nome da pernambucana Yane Marques, a terceira colocada na prova olímpica do pentatlo moderno. O resultado que parecia ser inesperado, na verdade, não era. Yane era justamente a terceira melhor atleta da modalidade, com duas medalhas de ouro no currículo nos Jogos Pan-Americanos antecedentes a Londres. Para os Jogos do Rio, em 2016, o maior nome do ciclismo brasileiro pode sofrer do mesmo mal. Já ouviu falar de Henrique Avancini?

Há pouco mais de um ano para a Olimpíada carioca, Avancini é um dos jovens destaques do Mountain Bike mundial. Além de ser o primeiro no ranking brasileiro de classificação para os Jogos, o atleta de 25 anos está entre os 20 melhores do mundo na categoria. A presença do brasileiro entre os grandes se consolidou no começo deste mês, depois de um segundo lugar na Cyprus Sunshine Cup, uma das provas de maior relevância da modalidade. Realizada no Chipre, o evento contou com 95 atletas de 27 países, incluindo o atual campeão olímpico, o checo Jaroslav Kulhavy.

Depois de quatro baterias, Henrique terminou a competição em segundo lugar, a apenas 37 segundos do campeão, o suíço Florian Vogel. “Hoje ele é nosso atleta com maior potencial. Ele foi inserido num programa de incentivo por estar entre os 20 primeiros no ranking mundial e com potencial olímpico”, conta Francisco Florencio, diretor do departamento de alto rendimento da Confederação Brasileira de Ciclismo. “Ele ganha incentivos financeiros e de custeio em campeonatos que ele apontou como importante, além de um treinador especial”.

(Foto: Fabio Piva)Apesar de ser considerado uma enorme promessa, pouco se falou da conquista de Avancini ou de resultados passados. E olha que já se passaram sete anos desde seu primeiro bom resultado no circuito mundial. Nascido em Petrópolis (RJ),Henrique começou a pedalar aos 8 anos de idade. Iniciou no esporte por influência do pai, que era especializado em provas de estrada e tinha uma loja de bicicletas. “Fui crescendo nesse universo de ciclistas. Em 1997, meu pai montou uma bike para mim nas medidas certas, cortando um quadro todo quebrado que chegou por lá e peças de sobra da bike shop”, conta o atleta.

Ao longo da carreira, Avancini passou com destaque pelas categorias de base até assinar com a equipe ucraniana ISD Cycling Team, para disputar provas pela categoria Sub-23. Neste segmento, os ciclistas já disputam algumas etapas entre os profissionais, da categoria Elite. “Ali você tem a noção se dá para seguir uma carreira”, diz. “Fui bem e voltei para o Brasil em 2012, com o fim do contrato com a ISD, para integrar a seleção pré-olímpica e participar da seletiva. Mas logo na primeira das três seletivas, eu sofri uma queda e quebrei duas costelas. Fiquei em segundo e não fui para Londres”.

De lá para cá, o jovem fez parte da primeira equipe brasileira com chancela da Union Cycliste Inernationale (UCI), órgão máximo do esporte. Avancini também faturou o décimo título brasileiro no cross-country olímpico, tornando-se o primeiro brasileiro a vencer o campeonato nacional em todas as categorias – desde a infanto-juvenil até a Elite –, e, em 2013, conquistou o primeiro lugar na acirrada competição MTB Bundesligaem Münsingen, na Alemanha.

(Foto: Ricardo Lopes)O vice-campeonato conquistado no Chipre veio em sua estreia pela Cannondale Factory Racing, uma das maiores equipes do mundo no esporte. O contrato assinado em 2014 veio em grande hora para a preparação para o Rio. “Temos o melhor mecânico, melhor fisioterapeuta, gerentes muitos profissionais, o equipamento é o melhor possível. Estou na equipe dos sonhos. Isso tudo dá uma tranquilidade muito grande, você chega mais focado na pista e não no entorno do evento”, diz Avancini.

Nos Jogos do Rio, a competição segue um molde parecido com a da Cyprus Sunshine Cup: trajeto de 4 a 6 quilômetros, com obstáculos naturais e artificiais. O que muda é que a prova é feita em turno único, e não em baterias. “Tenho muito a melhorar. Sou novo e estou passando por um momento motivante, mas o ponto mais forte é ter a convivência com atletas da elite mundial. Ao juntar o meu conhecimento com o deles, acabo subindo de nível. E ninguém se prepara como eu. Ninguém se dedica mais e treina tão duro. Posso não ter o mesmo talento que os gigantes, mas a cada dia que passa me aproximo deles pelo esforço”.

Que assim seja, Henrique. E que ninguém seja pego de surpresa quando a sua hora olímpica chegar.

* Publicado no site da Revista Elástica, projeto do Curso Abril de Jornalismo – Editora Abril

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