Mude a cidade pedalando
O World Bike Tour é mais que um passeio de bicicleta. Em São Paulo, é uma campanha pela mobilidade e pelo respeito ao ciclista
Por Aline Ribeiro e Raphael Martins

O World Bike Tour nasceu em Portugal em 2006. O número de ciclistas dobrou do primeiro para o segundo ano (Foto: Divulgação)
Todos os dias, o paulistano fica em média duas horas e 23 minutos no trânsito. No ponto de ônibus, espera 22 minutos até embarcar no veículo que o levará a seu destino. Os números são da Rede Nossa São Paulo e explicam por que questionamentos como “A cidade vai mesmo parar?” ou “Cadê o ônibus que não vem?” estão tão presentes em nosso cotidiano. Para consolo de quem já cansou de enfrentar o calvário que é se deslocar na capital, a próxima edição do World Bike Tour (WBT) em São Paulo decidiu ser mais que uma simples pedalada de 11 quilômetros pela Marginal do Pinheiros. Em sua quinta edição, o evento inclui atividades paralelas para mostrar que é possível usar a bicicleta como uma opção aos meios convencionais de transporte. De quebra, o ciclista ainda ganha mais qualidade de vida.
O Bike Tour nasceu em Lisboa, Portugal, para estimular a prática de esportes. “Como reúne muita gente num ambiente festivo, era mais fácil envolver os participantes”, diz José Costa, diretor de comunicação do WBT. A repercussão foi tamanha que a marcha de ciclistas avançou para novos territórios. Ganhou a segunda maior cidade portuguesa, Porto, e de lá foi para Madri, na Espanha, São Paulo e Rio de Janeiro.
Em São Paulo, o WBT ganhou uma nova característica. De incentivo aos esportes, acrescentou uma reflexão sobre o uso do carro e propôs um debate de soluções para a mobilidade. Neste mês, além do tradicional passeio ciclístico do dia 25, aniversário de São Paulo, inclui em sua programação um seminário internacional para falar sobre o respeito ao ciclista, poluição urbana e cidades mais amigáveis.

Participantes da última edição do World Bike Tour em São Paulo. O evento prega o uso da bicicleta como alternativa ao transporte público (Foto: Levi Bianco/BRAZIL PHOTO PRESS/FOLHAPRESS)
Mais de 500 mil interessados
Esse lado cicloativista do WBT tem ajudado São Paulo a conviver melhor com quem pedala. “A cada edição, deixamos 8 mil bicicletas aqui”, afirma Costa. Ele acredita que seu evento exerceu grande influência em conquistas como a ampliação da malha cicloviária da cidade, que soma hoje 241,4 quilômetros – oito vezes o tamanho que tinha em 2009.
O passeio do dia 25 terá 8 mil participantes, mas a procura é infinitamente maior. Num sorteio de vagas remanescentes para a pedalada, mais de meio milhão de pessoas demonstraram interesse. Ainda em 2013, o passeio deverá chegar a Brasília. Nos próximos anos, a meta é incluir no circuito Estados Unidos, França, Inglaterra e outros países de língua portuguesa.
* Publicado na edição 57 (Janeiro/Fevereiro) e no site da Revista Época SÃO PAULO – Editora Globo

