Autoesporte | Não tem carro para agora, e agora?

Não tem carro para agora, e agora?

Foto: Autoesporte
Assim que chegou, o HB20 registrou longas filas de espera – que chegaram a 180 dias em revendas isoladas. Passado o calor do lançamento, a situação segue complicada. Os vendedores pedem prazo médio de 90 dias nas capitais de Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Daí, veio o Onix, que agrada em muitos quesitos – tanto que travou um disputadíssimo comparativo com o Hyundai. O Chevrolet passou, então, a atrair quem não estava estava a fim de esperar tanto. Conseguiu uma boa leva de consumidores. E, com eles, veio a lista de espera. Hoje, o hatch está disponível em cores e pacotes de opcionais limitados e os prazos para a entrega também variam. Vendedores falam em janeiro e pedem até 40 dias.

A essa altura, nem é preciso dizer que, nos dois casos, você pode esquecer o desconto do IPI, Imposto sobre Produtos Industrializados. Como as entregas ficarão para janeiro, os preços já contarão com o reajuste da alíquota – que é de 7%. O consultor Francisco Trivelatto diz ser difícil fazer previsões de mercado, por não saber como as montadoras recolocarão o IPI no valor dos carros, se integral ou parcialmente. Mas ele alerta que a cada virada de ano os seminovos sofrem desvalorização. “Só o mercado vai ditar a variação de preço. Vai tudo de acordo com o plano do governo de volta do IPI. Nessa época, ela costuma cair. Mas com o retorno do imposto, tende a subir”, diz.

Assim, quem topa encarar a fila de espera ainda pode ver seu seminovo se desvalorizar um tanto mais. “A valorização de usados é muito lenta. Com o fim do IPI reduzido, os preços dos seminovos não devem subir tão rápido quanto o dos carros zero. Nessa hora, a moeda de troca desvaloriza”, conta Trivelatto.

Para quem pode passar alguns dias / meses sem carro, a dica é vender logo enquanto aguarda o novo. Nesse meio tempo, o dinheiro pode até render a favor. Quem consegue conter a ansiedade e esperar, ainda pode colocar na poupança o valor que seria dado como sinal – as revendas Hyundai pedem 10% e as Chevrolet, R$ 1 mil. Caso o comprador precise de um carro novo com urgência ou não queira arriscar uma alta que supere seu orçamento, o consultor acredita que o jeito seja partir para outra alternativa, como Gol, Palio e até o Etios.

Se o interesse for mesmo um dos lançamentos, o comprador só deve se precaver para não ter surpresas no orçamento. O sinal acaba sendo um tiro no escuro, firmando um compromisso que pode complicar a vida no futuro. A boa notícia é que a Hyundai se compromete a devolver em sua totalidade o valor pago pela reserva caso o consumidor desista da compra. Além disso, através da assessoria de imprensa, a marca diz que não autoriza qualquer prática de venda casada ou de documentação compulsória e está monitorando sua rede para que isso não ocorra. Caso tais práticas sejam verificadas, ela garante que as concessionárias serão penalizadas e pede que os clientes denunciem os fatos através do SAC 0800-7703355. Vocês passaram por isso?

PS: na primeira quinzena de dezembro, o Onix superou o HB20 em vendas, foram 6.031 unidades emplacadas ante 5.660.

Raphael Martins

* Publicado no blog Quarentena da Revista Autoesporte – Editora Globo

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