Autoesporte | Indústria automotiva fecha novembro com queda de 5% na produção

Indústria automotiva fecha novembro com queda de 5% na produção

Mês fica abaixo do esperado, mas vendas no acumulado do ano crescem 4,8%

Por Raphael Martins

Foto: Volkswagen
Em coletiva de imprensa, na manhã desta sexta-feira (7), a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), apresentou o balanço final de vendas no mês de novembro, que registrou nova baixa na indústria. O vai-e-vem é consequência das constantes prorrogações das reduções de IPI, que aquece e esfria o mercado nacional. Na comparação com o mês de outubro, a produção de novos veículos registrou queda 5,3%, passando de 318,7 mil para 301,7 mil em novembro.

Os emplacamentos também caíram bastante: 8,7% em relação ao mês anterior, fechando o período com 311,8 mil unidades vendidas, contrariando a expectativa da Anfavea. A entidade esperava que as vendas no mês fossem impulsionadas pelo recebimento da primeira parcela do 13º salário e não foi o que aconteceu.

No entanto, mesmo com os números abaixo do esperado, as vendas no acumulado do ano ficaram dentro do previsto pela indústria automotiva, com aumento de 4,8% em relação a 2011, fechando o período com 3,44 milhões unidades vendidas – a meta era crescer de 4% e 5%.

Produção e balanço do ano

Apesar de uma alta de produção equivalente a 10,5% em relação a novembro de 2011, o índice mostra queda no comparativo entre períodos janeiro-novembro, passando de 3,15 milhões em 2011 para 3,08 milhões este ano, redução equivalente a 2,1%. A projeção é que o índice feche 2012 com baixa de 1,5%. “Não chegamos aos 2% de crescimento previstos, porque o volume de exportações foi muito aquém do esperado”. Mesmo assim Cledorvino Belini presidente da Anfavea comemora. “Como essa curva estava muito negativa e foi subindo, nós nos demos por satisfeitos”, disse.

Previsões para 2013

Em 2013, expectativa da indústria é crescer 4,5% em produção e entre 3,5% e 4,5% em vendas.

Perguntado se o crescimento previsto para 2013 não era otimista demais – levando em conta a situação atual, que registrou o primeiro saldo negativo de produção desde 2002 –, Belini enumera os pilares da projeção: “Para o ano que vem, o crescimento estará vinculado ao crescimento do PIB, aumento da renda, juros mais baixos e expansão do crédito. Hoje, são esses os fatores que fazem com que o nosso setor possa alavancar”. “Atualmente, 60% das cartas de crédito são aprovadas, se voltar para os tradicionais 25%, obviamente teremos um problema”, conclui o presidente.

Belini aponta também que as políticas do Inovar Auto devem reduzir a entrada de importados, auxiliando a produção nacional, mas nega que essa seja uma medida protecionista. “O Brasil sempre teve políticas pontuais como a redução do IPI. Essa é a primeira política clara e definida a longo prazo. Mas, para isso, tem que haver um fortalecimento da engenharia, dos processos, da tecnologia da indústria por aqui”, explica. “Não é um protecionismo, é uma política olhando o longo prazo e resguardando o capital intelectual que já existe no país. Se tudo continuasse como está, íamos importar cada vez mais, ter cada vez menos produção e, consequentemente, perder esse capital intelectual como em outros setores”, finalizou o presidente da Anfavea.

* Publicado no site da Revista Autoesporte – Editora Globo

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.