Autoesporte supera Neymar e Marcos Assunção no test-drive da Audi
Andamos em três dos modelos que estão disponíveis no Salão do Automóvel
Por Raphael Martins

SUPERESPORTIVOS DA AUDI ENFILEIRADOS NA FRENTE DO HOTEL HOLIDAY INN (FOTO: LUCAS MOMOSAKI/AUTOESPORTE)
Placar do jogo: Autoesporte 3 x 1 Neymar e Marcos Assunção. Enquanto os jogadores de Santos e Palmeiras andaram em apenas um dos modelos que a Audi levou para o “teste do público”, fui escalado para dirigir logo os quatro. Só consegui três, pois um o Neymar pegou emprestado. Estagiário de primeira viagem no mundo dos carrões, não pensei duas vezes antes de pegar as chaves de R8 GT Spyder, S5 Cabrio e o TTS – as mesmas que visitantes comuns poderão ter em mãos durante a visita ao Salão do Automóvel de São Paulo.
A volta é rápida, não tem mais que 5 km e, basicamente, contorna o Pavilhão de Exposições do Anhembi. É pouco, mas já dá para sentir um gostinho do que os veículos são capazes. A principal estrela é o R8 GT Spyder, versão exclusiva de um dos carros mais potentes da marca vendido por R$ 1,2 milhão. Ao todo, só 333 unidades foram produzidas no mundo inteiro e apenas duas serão vendidas no Brasil. O carrão tem motor 5.2 V10 FSI de 560 cv e alcança velocidade máxima de 317 km/h – acelerando de 0 a 100 km/h em 3,8 segundos. O câmbio é o R Tronic automatizado de seis marchas, com opção de troca por shift paddles (haletas atrás do volante) ou na própria alavanca.

A ACELERAÇÃO DO AUDI R8 GT SPYDER DÁ A MESMA SENSAÇÃO DA DECOLAGEM DE UM AVIÃO (FOTO: RAPHAEL MARTINS/AUTOESPORTE)
Chamá-lo de esportivo não é fazer uma classificação genérica. Na rua, além do design agressivo, o alto ronco do motor chama atenção de todos em volta. Os bancos são idênticos aos de um verdadeiro carro de corrida, com encaixe perfeito para que o motorista não balance em curvas mais fechadas. O interior dá a sensação de estar um verdadeiro cockpit. A vontade é de ter uma pista só para si. Mas na ausência dela, a gente se acostuma com as vias comuns. “Uma das ideias do teste é mostrar que, apesar das aparências, esse carro pode ser, tranquilamente, usado em um ambiente urbano”, conta o instrutor Lothar Werninghaus.
O R8 GT Spyder apresenta dois modos de pilotagem: comum e esportivo, selecionados ao toque de um botão. “Ao ser colocado no modo normal, o carro mantém as marchas mais altas e giros mais baixos, assim anda mais tranquilo”, conta o instrutor. No esportivo, o carro muda de postura. A resposta fica muito mais agressiva e dá a impressão de que realmente pilotamos uma máquina. “Ele fica mais nervoso. As trocas de marcha só são feitas em giros altos, aumentando o potencial de arrancada”, completa.
Na saída da Marginal Tietê, fim do percurso e mais deserto, o instrutor permite uma arrancada mais feroz com o carro. A velocidade impressiona. Assim como a força que pressiona o corpo contra o banco – e se assemelha à decolagem de um avião. É realmente uma experiência indescritível para quem nunca andou em um desses, como eu.
Não para por aí. Quem não conseguir uma vaga para dirigir essa versão especial pode tentar os outros modelos – com preços que vão dos R$ 856.350 cobrados pelo R8 Spyder aos R$ 315.482, do TTS. Apesar de não ter pegado esse, a diferença do GT para o R8 “comum” é relativamente pequena. Com propulsor 5.2 FSI ele entrega 525 cv e cumpre o 0 a 100 km/h em 4,1 s – a máxima é de 313 km/h. Portanto, ter um desses nas mãos também é tão empolgante quanto.
A partir do S5 Cabriolet, o poder de fogo diminui bastante. Longe de ser fraco, o motor 3.0 TFSI V6 tem 333 cv de potência e 44,8 de torque máximo, o que torna seu desempenho mais que satisfatório. Para quem, como eu, está familiarizado com o mundo dos populares, só o fato de não precisar girar a chave no contato para dar a partida (há um slot para encaixar a chave) e de contar com freio eletrônico já é novidade.
O mais “simples” dos esportivos disponíveis para teste é o TTS. Sua resposta é bem rápida e a direção, macia. Os dados oficiais mostram aceleração de 0 a 100 km/h em 5,2 segundos, com velocidade limitada de 250 km/h. O motor é um 2.0 turbo de 272 cv e 35,6 kgfm de torque. Ou seja, são quase 200 cv a mais e 10 segundos a menos para atingir 100 km/h que os carros de entrada vendidos no Brasil, vale a experiência.

APESAR DE SER O MENOS POTENTE, DIRIGIR O AUDI TTS É BASTANTE EMPOLGANTE (FOTO: LUCAS MOMOSAKI/AUTOESPORTE)
Você também quer?
O grande problema da “brincadeira” é que as vagas são bastante limitadas: 21 privilegiados podem andar em cada um dos quatro modelos por dia. Para participar, basta apresentar o ingresso do salão, a carteira de motorista válida e fazer o agendamento (de preferência) antes de entrar no pavilhão. As reservas podem ser feitas no espaço montado pela Audi, em frente ao Hotel Holiday Inn. Quem conseguir um horário, ainda poderá fazer inveja aos amigos com a prova da experiência: uma foto ao volante que a Audi promete enviar por e-mail. Cuidem-se, Assunção e Neymar.
* Publicado no site da Revista Autoesporte – Editora Globo (Cobertura especial do Salão do Automóvel de São Paulo)
