AUN | Unesp inaugura curso sobre criação de games

Grupo de designers pretendem formar profissionais com conhecimento de todo o processo criação de jogos, com ênfase nas suas características lúdicas

Por Raphael Martins

Criado por um grupo de designers virtuais que migraram para a área de games, o curso, com previsão de início para o segundo semestre de 2012, visa a formar profissionais especializados na produção de jogos, com ênfase em sua propriedade lúdica: “Nosso desafio é dar um curso sobre aquilo que se busca, não sobre aquilo que se sabe. Nós estamos começando nossos estudos sobre games, sabemos muito pouco ainda”, explica Dorival Rossi, designer e professor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC) da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp).

Rossi apresentou, no início de dezembro, a nova proposta de um curso de Design de Games da Unesp Bauru. A apresentação aconteceu no Festival Games For Change – América Latina, que teve seu primeiro dia, 8, baseado na Escola de Comunicações e Artes.

A interligação entre os departamentos de design e de computação da Universidade tem o objetivo de produzir um novo conceito e nova linguagem para os games. A ideia é criar e disseminar o ideal de que games não são simples jogos sem função educacional. Para isso, os profissionais formados pela Unesp buscarão uma nova forma de aprender através de uma real imersão no jogo.

Para Rossi, não se deve transpor matérias de escola para o jogo, o aprendizado vem do conhecimento lúdico que o jogo proporciona. O game inaugura uma nova forma de aprender através da imersão no que ele estimula. O designer aponta um problema nesse processo. Para ele, os paradigmas instaurados na sociedade precisam ser revistos e a imersão deve ser encorajada, não descriminada: “Quando eu acabava de montar meus jogos e ia começar a brincar, minha mãe dava um chega e mandava voltar a estudar. ‘Agora que eu ia começar a jogar?’ É necessário mais tempo sim, mas pais e professores não gostam dessa ideia”.

Rossi aponta que um bom jogo, que cumpra sua função lúdica, deve entreter. Para criar um bom game, que entretenha, de fato, o seu público alvo, Rossi acredita que o curso precise necessariamente de candidatos envolvidos profundamente nesse mundo. É o que ele chama de Gamecultura: ter profissionais que sejam gamers, que entendam, que joguem para trabalhar com os games. “Alguém que não jogue, não trabalha, não está imerso nesse universo, não me interessa. Precisa ser um gamer para trabalhar e produzir com a gente”, explica.

Além da produção de conceito do game, o curso oferece alguns diferenciais: preocupação com a ergonomia virtual (conforto do jogador durante o jogo, que facilita a imersão e maximiza o aprendizado) e com os efeitos sonoros, pensa também na gestão de games, que é atingir o público alvo, distribuição correta, sucesso de vendas, aceitação do público e se cumpriu objetivos, entre outros conceitos.

O Festival Games For Change – América Latina foi dirigido por Gilson Schwarz, professor do Departamento de Cinema, Rádio e TV da ECA e teve por objetivo promover a interação e troca de experiências entre criadores, pesquisadores, estudantes e jogadores.

* Publicado em janeiro de 2012, pela Agência Universitária de Notícias (USP)

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