Mais uma vez, Brasil?

Paraguaios comemoram vitória na Copa América (Foto: Ricardo Matsukawa/Terra)

Desde o início da Era Mano, a seleção brasileira não fez nenhum jogo realmente convincente. Chegou, então, à Copa América, o primeiro campeonato disputado desde o vexame na Copa do Mundo de 2010, cercada de dúvidas. Um time cheio de proto-estrelas do futebol, eternas promessas, que pouco mostraram nas horas decisivas.

O drama não deixou a seleção em paz em momento algum. Em um grupo que outrora seria considerado fácil, a estreia com empate por 0 x 0 contra a Venezuela já deu o alerta à torcida brasileira. Ainda na fase de grupos, outro empate por 2 x 2 contra o (agora carrasco) Paraguai, salvo pelo gol de Fred nos últimos minutos.

A essa altura, foram várias as desculpas. A realidade é que foi um time que nunca jogou bem, nunca pode contar com a efetividade de Ganso, Neymar, Pato, Robinho… De nenhum, cada um a seu momento.

Contra o fraco time do Equador era vencer ou vencer. Pior, contra esse tradicionalíssimo adversário, estávamos todos com medo. E como culpar o torcedor?

Assistindo ao jogo, merece um prêmio aquele que não pensou “xiiii, complicou”. Precisando de moral (e gols), o Brasil fazia pressão, sem sorte. Então, em cruzamento de André Santos, Pato abre o placar com um bonito gol de cabeça. “Agora vai!”

E pouco tempo depois, Caicedo recebe na entrada da área e bate, (julgo) sem grandes pretensões, para o gol. Quem esperava? Julio Cesár, há tempos considerado um dos melhores goleiros em atividade, falhando?

Vem o primeiro “xiiii, complicou”. O abatimento dos brasileiros era claro, fim do primeiro tempo.

Volta para o segundo tempo e logo sai o gol. Passe de Ganso acaba freado  pelo zagueiro equatoriano e fica na medida para a finalização de Neymar. Mais um alívio.

Pouco depois, em um show de incompetência da zaga, especialmente de Thiago Silva, Caicedo recebe novamente na entrada da área, ajeita e bate. “Agora vai Julio César!” Não… Em mais uma falha do goleiro brasileiro, o Equador empata o jogo. Vem o segundo “xiiii, complicou”.

Neymar pouco fez pelo Brasil (Foto: Getty Images)

Nesse momento, o Brasil era terceiro colocado, classificando-se como segundo-melhor-terceiro, última vaga nas quartas-de-final da Copa América. Já era suficientemente vergonhoso, mas com o goleiro em crise evidente, qualquer gol equatoriano desclassificaria a seleção. Preocupante.

Depois muitos momentos de tensão e contas para checar a classificação, Neymar bate de fora, no rebote, Pato acha um gol sem querer e traz a ponta de esperança. Maicon, um dos destaques do time, subia bem para o apoio no ataque. Depois de vários cruzamentos errados, ele infiltra pela lateral e dá o passe cruzado para Neymar marcar: 4 x 2, fim de jogo.

O Brasil venceu, mas não convenceu. “Ataque desencantou, finalmente ganhou, Neymar e Pato jogaram bem”, etc. Notou-se um enaltecimento da imprensa, em uma tentativa frustrada de acalmar o torcedor ou incutir um convencimento de que, agora, estava tudo certo. Não sei, não entendi…

Vinha o domingo e, novamente, o Paraguai. Paraguai que quase nos derrotou. Mas o clima era bom! O Brasil ganhou e o ataque fez muitos gols! A torcida, porém, não parecia confiante (pelo menos, ninguém que eu tenha conversado a respeito).

O jogo era horrível. Com erros de domínio dignos do esporte universitário, passes ruins, ataque sem a menor efetividade e um adversário que encontrou a resposta na retranca, o Brasil não fazia nada. Quando chegava, parava na atuação inspiradíssima do goleiro Justo Villar.

Como não poderia ser diferente, mais um empate: 0 x 0. Na prorrogação, nada mudou.

Tudo o que o Paraguai queria aconteceu: os pênaltis decidiriam o semi-finalista. O grande jogo de Villar e considerando a possível falta de confiança de Julio César dava aos paraguaios a esperança de vencer o “favorito” Brasil.

Mano Menezes continua no comando da seleção (Foto: Ricardo Matsukawa/Terra)

Mal sabiam eles que, ao apito final, estava decidido. Elano, Thiago Silva, André Santos, Fred e Robinho foram os cobradores selecionados por Mano Menezes. Batedores que pareciam nunca ter batido um pênalti, salvo Robinho, que não foi testado.

Elano e André Santos deram inveja a Roberto Baggio, com cobranças que foram à Lua e voltaram. Thiago Silva bateu mal, meia altura e sem exigir grande esforço no salto de Villar. Fred tirou demais do goleiro, bateu para fora.

A desculpa da vez foi a qualidade do gramado. Era impossível bater os pênaltis naquela situação! Só quem é paraguaio consegue, óbvio…

Fica difícil lembrar a última vez que uma seleção desperdiça todas as cobranças em uma disputa de pênaltis. Você lembra? Enfim… Fica para a próxima: a Copa das Confederações de 2013, aqui no Brasil, última antes da Copa do Mundo de 2014 (como sede da Copa, não disputará as Eliminatórias).

O que preocupa é que em mais uma campanha vergonhosa, o Brasil se despede de uma competição oficial. Mano Menezes tem algum tempo para dar jeito no time.

Ao menos, é o que se espera. Vamos acompanhar.

* Produzido em julho de 2011
Originalmente postado em Jornotações

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.